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Quem sou eu pós maternidade?

Atualizado: 13 de jun. de 2023


mãe com bebê
Quem sou eu pós maternidade?

Esse é o primeiro texto da série “Mãe além da mãe”, escrita pela jornalista Juliana Isola com a proposta de sair do romantismo atrelado à maternidade para sentir emoções e pensamentos que aparecem com a chegada de uma nova vida em casa. Com essa nova rotina, uma nova organização de vida, e também uma nova relação que começa - com a nova mulher que nasce.





Nasce um filho, nasce uma mãe, dizem. Mas será que a chave vira automaticamente mesmo? A construção deste novo ser, a mãe, começa bem antes, ainda na gestação, quando não somente um bebê é gerado, mas uma nova mulher. Só não temos noção disso ainda. Geralmente é no parto, ou no pós-parto, que essa nova mulher nasce. Nada fica no mesmo lugar. E continuará em movimento, em evolução, com todas as fases que estão por vir. Quando meu filho nasceu, eu tive a sensação de estar vivendo uma vida à parte que nasceu juntamente com ele, e tudo era estranho por um período. O puerpério batia à porta.

Pós-parto eufórico e primeiras sensações como mãe

Foi com cinco dias de meu filho ter nascido, passada a euforia do parto e a chegada em casa que a consciência veio: realmente seria tudo diferente e eu também me sentia diferente. Nesse dia chorei muito, pois essa nova mulher tinha muitos medos, inseguranças e desafios com um recém-nascido em casa. A sensação de limbo era gigante, somada aos hormônios oscilantes, o peito muito machucado de uma amamentação mal sucedida e estressante, a cicatrização do parto e o medo de não conseguir fazer coisas simples da nova rotina, como dar banho no bebê.

Para uma pessoa extremamente organizada como eu, essa sensação de não entender mais como as coisas iriam funcionar, o que seria prioridade e lidar com uma casa de cabeça para baixo sozinha tornaram tudo ainda mais solitário. Na cabeça de uma gestante já existem tantas questões que muitas vezes nos escapam coisas. É nesse sentido que um curso como o de Baby Organizer, do Instituto Mãe, faz a diferença, auxiliando gestantes, mães, babás e avós a organizarem casa com criança e bebê.

Solidão e ausência de rede de apoio

Na época eu, que sou de Recife, mas morava no interior de São Paulo devido ao trabalho, não tinha rede de apoio. Minha mãe ficou comigo por umas semanas após meu filho nascer, mas precisou voltar para Recife com o fim de suas férias (que ela programou para ficar comigo). Dali em diante eu segui só, porque até o casamento desandou - a figura de pai não chegou para o suposto companheiro, que entrou em modo negação e tentava ficar fora de casa sempre que podia.

Meus dias passaram a girar em torno de três pessoas: meu eu antigo, meu filho e meu novo eu, a mãe – sendo que esses últimos eram pessoas desconhecidas que agora eu convivia o tempo todo. Aquele amor e aquela atmosfera mágica não foi o que eu senti, tudo parecia fora do lugar, inclusive eu mesma. Quem era essa Juliana que nascia ali, basicamente movida pelo instinto de cuidar da cria e de si?

Puerpério, os dias que se seguem, o olhar-se e o reconhecer-se

São tantos os sentimentos passados em mente, até mesmo aqueles divergentes parecem suceder-se um após o outro. A noção de horas e dia não existia mais, e uma sucessão de fatos repetitivos aconteciam constantemente, reforçando a sensação de limbo. Me sentia engolida. Tempos depois, as coisas parecem tomar forma, e passamos a entender que essas emoções são parte da rotina, onde se pode agradecer e detestar a maternidade ao mesmo tempo.

E entender sentimentos, como o significado de amor após o nascimento de um filho – é algo totalmente novo, puro, real e latente. A ressignificação do amor como sentimento realmente acontece e o estilo de amar outras pessoas é diferente. Com as coisas mais engrenadas, eis que lembramos que também é preciso cuidar dessa nova mulher que nasceu - pelo menos comigo foi assim.

Esse novo relacionamento, entre seu antigo e novo eu, vai se construindo dia a dia... Aos poucos, a sensação de limbo e perda aos poucos passa, e você passa a perceber o que faz sentido para você ou não - pessoas, relações, estilo de vida, hábitos. Nada como um dia após o outro. Assim como a relação com os filhos vai sendo construída, a relação consigo, com a mãe, também se torna íntima, e você começa enfim a se identificar e entender com aquela sua nova versão, que sempre estará em evolução.


E passa a realmente descobrir, quem sou após a maternidade! Que alívio!



mãe com bebê mamando
Juliana Isola & Miguel









Por Juliana Isola (@juli.ana.isola)

Jornalista, recifense, mãe de Miguel. Adora tomar um cafezinho e refletir sobre maternidade, carreira, marketing e fazer resenha no https://cafecomjuliana.blogspot.com/.



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