O trabalho invisível das mães...

...é muitas vezes o que sustenta o que todos conseguem enxergar.


viagem com criança

Há um ano eu estava viajando de carro sozinha com meu filho e durante o trajeto escutei um podcast, que me fez olhar para o meu dia-a-dia que estava tão desgastante. e Eu não tinha até então entendido os porquês, vivia no piloto automático. E que é mãe, sabe exatamente o que isso significa. Mas ouvindo o pod cast aprendi um termo que até então eu colocava em prática mas nunca tinha parado pra pensar no quão importante eram as ações que eu realizava no meu dia - O que é a economia do cuidado! (Podcast Mamilos de 07.05.2021)



Eu havia pego toda a responsabilidade da casa, da escola, dos filhos, cachorro, supermercado, esporte, do programa do final de semana, das viagens em família, das idas a casa dos avós... para mim, porque afinal de contas eu não trabalhava fora e me sobrava “tempo” para realizá-las, mas que internamente não era valorizada como deveria. Eu me sentia sobrecarregada, com a responsabilidade total e ao final do dia me sentia sempre “devendo” ou para mim ou para alguém. Devia pra mim, porque sempre deixava as minhas coisas em segundo plano e para outras pessoas porque eu achava que deveria cumprir agenda, sofria quando deixava um dos pratinhos caírem. O fato de não gerar uma renda exata ao final do mês me incomoda até hoje. Continuo a trabalhar todos os dias, com todas as responsabilidades que citei acima e ainda toco a minha empresa que existe há 7 anos, mas sempre com uma renda inconstante mensalmente – tem mês que dá mais e tem mês que dá menos. Confesso que esse é um tema que ainda mexe muito comigo e que preciso incansavelmente trabalhar internamente, que apesar de não gerar lucro financeiro fixo eu consigo gerar economia real sob vários aspectos, mas a minha cabeça não faz essa conta muito bem. Quando eu tenho “tempo” de avaliar o preço do mercado, quando eu organizo as tarefas de casa (mesmo tendo ajudante), quando programo a viagem de final de ano ou carnaval, e quando preciso administrar os afazeres gerando economia de tempo, de luz, de água e de consumo de insumos, eu também estou trabalhando e gerando lucro, para a empresa chamada família.


Mas como explicar isso? Como mostrar isso?


Achamos que quem sair para trabalhar, tem mais valor do que quem trabalha dentro de casa, e percebo esse olhar torto inclusive vindo de outras mulheres. O que me desaponta muito, pois quem mais entende da importância de cuidar é quem deveria ajudar a segurar essa bandeira.

Depois que me tornei mãe, senti o quão solitária a maternidade pode ser. Estar em casa 24x7 com um recém-nascido, requer esforço físico, mental e emocional e isso se estende por anos a fio, se ela quiser.

Quando a mulher opta por sair de seu trabalho remunerado para cuidar da família, seja por opção ou seja por necessidade nem sempre é entendida literalmente e sim nas entrelinhas. E o que mais me faz refletir sobre esse tema, é o fato de que a maternidade é um dos trabalhos mais difíceis e importantes, mas que ninguém vê, pega ou sente.

Escutei uma frase que gostei demais e me fez valorizar ainda mais meus afazeres em casa que é: “Se a nossa casa é para onde voltamos depois de um dia exaustivo de trabalho, é onde descansamos, é onde está nossa família, porque desvalorizamos então o trabalho de quem fica, quem cuida e quem se preocupa para que todos fiquem bem?”. (Portal Despertando - @portaldespertando)


Dito isto, conclui que a tendência do ser humano, é sempre olhar mais para os defeitos do outro do que para as qualidades, então vale considerar as forças e fraquezas de cada um e como cada um pode somar na relação. Estar casado é uma escolha diária e enquanto tivermos a tendência a chamar atenção mais para os defeitos do que para as qualidades as relações ficarão cada vez mais desgastadas, fragilizadas, fúteis e mais suscetíveis a rupturas.


A conta de 50 por cento de cada um, nunca vai ser justa. Primeiro porque é difícil mensurar de forma quantitativa os afazeres de cada um, mas é possível que exista um equilíbrio nos afazeres de forma que nenhum dos dois parceiros se sobrecarreguem e possam ter momentos pessoais e familiares de qualidade.

As mulheres têm o ímpeto de pegar tudo para si porque - ou querem que a “coisa” seja feita a sua maneira OU porque o outro não tem pró-atividade em fazê-la, por isso, se você se sente assim, eu gostaria de sugerir que os casais fizessem um teste. O teste é o seguinte: Liste o que cada um entende como cuidado com a casa, afim de alinhar as expectativas individuais e conseguir ter uma melhor distribuição nos afazeres domésticos. (leia-se: não só o dia-a-dia com a casa propriamente dita, mas com tudo ao redor, como o cuidado com os filhos, cachorro, atividades físicas, trabalho etc – aliás liste aqui tudão... geral, o papel aceita tudo).

Esse exercício irá proporcionar 2 importantes coisas:

1- Você perceberá o quão importante são as tarefas que você realiza, mesmo aquelas automáticas ou diárias, como cuidar da casa, coisas que você PRECISA fazer todos os dias e que sim, ocupam um tempo danado.

2- Juntos, vocês poderão entender como cada um enxerga. E ao invés de cobrar do outro, poderão juntos definir o que cada um é capaz de fazer. O combinado não sai caro!


Será que a saída para fechar essa equação com zero-a-zero seria fazer uma agenda para a casa também? Nós mulheres já trabalhamos com tantos braços no nosso dia, mas as vezes sinto que falta cabeça.

Temos 2 braços e só uma cabeça. Por que isso acontece? Temos que trabalhar mais? Mas os homens também têm 2 braços, então por que a conta não fecha?

Ás vezes me pego fazendo uma agenda para que tudo de tempo de se fazer dentro daquele dia ou para organizar a vida no geral. E você que está ouvindo o nosso podcast pensa como? Tem agenda? Tem uma metodologia para dividir? Aceito sugestões...


E assim, depois de refletir muito sobre esses 3 aspectos, passei a valorizar mais, não só a mim como pessoa, mas sobretudo como mulher...


E para finalizar, me despeço e torço, para que você que esteja lendo esse post, faça suas considerações pessoais, valide seu empenho e seu esforço diário e lembre-se: do quão importante é o seu papel na sua família e na sociedade em que você está inserida. Ninguém disse que seria fácil, mas só você sabe o quão capaz você é!

Quando uma mulher decide curar-se, ela se transforma em uma obra de amor e compaixão, já que não se torna saudável somente a si própria, mas também à toda sua linhagem. Bert Hellinger


Fui convidada à gravar um podcast sobre esse tema com a querida Cora Tizzi - Menu de Mães episódio #103 escute aqui: https://open.spotify.com/episode/1xU3ZZdbqal1tNR49n1FHD?si=V0PgRuqcTeeoLciCN-BCVg


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Alguns dados relevantes sobre esse assunto, numa pesquisa realizada pela Think Olga:

  • As mulheres gastam em média mais de 61 horas por semana em trabalhos não remunerados no Brasil;

  • O trabalho de cuidado NÃO pago feito por mulheres representa uma economia 24x maior que a do Vale do Silício;

  • Mulheres e meninas ao redor do mundo, dedicam 12,5 bilhões de horas, todos os dias, ao trabalho de cuidado não remunerado – uma contribuição de pelo menos US$ 10,8 trilhões por ano à economia global. Isso dá mais de 3x o valor da indústria de tecnologia do mundo. (Fonte: Oxfam: Tempo de cuidar)



A inspiração deste post, veio não só do meu dia a dia, como de outros meios que também já discutiram sobre este tema: Think Olga, Mamilos e Prazer! Renata.


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