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Eu quero abraçar o mundo, mas não posso!

Atualizado: 13 de jun. de 2023


abraço de mãe e filha
Eu quero abraçar o mundo!




Uma reflexão de uma mãe ativa e cheia de ideias, mas que não pode fazer tudo e precisa lidar e aceitar isso para não entrar em crise.






Recentemente vivi dias que pareciam intermináveis, com excesso de atividades, choro e um mal estar constante. Impaciência, insônia, má alimentação e uma irritabilidade incomum tomavam conta de mim e afetavam tudo à minha frente.

Eu me sentia péssima com isso - afinal cabe a mim este autocontrole - mas não conseguia parar. Escrevia mil coisas em lugares distintos, consumia mil conteúdos até altas horas da noite, comia compulsivamente e sem fome real, e me irritava mais quando percebia que não conseguia fazer as coisas que eu havia colocado como "prioridade". Será que eram prioridade mesmo?

Me tornei a mulher polvo

Numa semana em particular, na qual não aguentava mais chorar do nada - aqueles rompantes, sabe? - eu percebi a crise que passava. Uma crise de ansiedade vinha tomando conta de mim há alguns meses, dando seus sinais pelo meu corpo e alterando meu comportamento, embora não me desse conta.


Ao contrário, dizia sim para tudo, queria mais e mais e mais, e quando chegava de noite, não conseguia fechar os olhos, mesmo exausta. O cérebro não parava. Que lugar ruim para estar é o lugar do ansioso. E quando ele percebe que não dará conta daquilo que se comprometeu, é pior ainda!

Não seja cavalo do cão

Não é questão de incompetência, é questão de estilo de vida, de tempo e saúde! Desde que me tornei mãe que muitas coisas tomaram novos formatos na minha mente e na forma como enxergo, mas volta e meia ainda me pego ainda sendo aquela mulher rolo compressor que encara tudo, se enchia de atividades, fazia mil coisas e estava tudo certo.

A famosa "Cavalo do Cão", era bem meu estilão, eu chegava e pá pá pá, tava feito, tava resolvido, toca pra frente. Naquele tempo e circunstâncias dava super certo. Eu percebi que algo não estava bem comigo quando além dos sintomas físicos, algumas pessoas chegavam até mim para comentarem como eu estava estranha, sonolenta, distante e calada.


Autoterapia

Eu choro mesmo, é uma b*sta, meu olho incha horrores, fica super vermelho e a coriza toma conta do nariz. Não há óculos de sol que disfarce, o nariz fica super vermelho também haha. Foi em um desses momentos que parei e consegui me ver de outra perspectiva, a de observadora. E assim, nesse exercício que minha antiga terapeuta elogiaria, eu me via e ali via em mim comportamentos do meu filho de 2 anos - nos momentos de birra dele, bem comuns nessa fase. Que assustador se perceber também uma criança.


E quem cuida de uma criança? Um responsável, um adulto. Então essa mulher que observava conversou com a criança e a acolheu, fazendo o que eu faço com meu filho nos momentos de frustração.

Voltando atrás, tomando consciência e pegando leve

Impor limites não é só sobre o outro, é também sobre si, de si. E justo nessa semana de crise interna eu aprendi uma lição que já vinha batendo a cabeça algumas vezes. Aquela história: se não aprende, vai fazer de novo, e eu não quero repetir certas histórias e padrões daqui para frente.

Então veio o não. Não para algumas atividades, não para muitos trabalhos que basicamente eu teria que ser a Mulher Maravilha para dar conta - e eu não pretendo ser assim, e não para algumas pessoas. Numa semana particularmente com tantas possibilidades, onde eu poderia abraçar o mundo, precisei respirar, pensar e priorizar o que conseguia fazer.

Mas nesse movimento, onde eu me sentia até um pouco esquisita ao dizer não, encontrei outras coisas: aquelas horas de sono que queria colocar em dia, o momento de desconectar do celular e conseguir ver um doc ou uma série e a retomada das minhas práticas de yoga e meditação diárias. E como elas me fazem bem, fazem diferença no meu todo: sinto as mudanças no meu comportamento, no meu corpo, na forma de me alimentar e no meu sono - fica super pesado e restaurador!

Está permitido dizer não

Sei que muitas vezes a orientação geral é que não utilizemos a palavra não para diversos momentos, e na nossa cultura é muito forte utilizar 'conversinhas e desculpas' no lugar do não. Mas é necessário utilizarmos mais esse não. Sem explicações, detalhes, conversas. Também comentei sobre alguns processos internos do meu maternar na série de textos Mãe Além da Mãe, que você encontra aqui, aqui e aqui.


Usemos o não para dizer sim para nós, nossa saúde, nossa rotina e aquilo que nos faz bem. Ainda estou aprendendo a usar essa palavra por aqui, mas tem me feito bem, e prefiro estar assim do que sobrecarregada de coisas por dizer sim para tudo e todos.


Por Juliana Isola (@juli.ana.isola)

Jornalista, recifense, mãe de Miguel. Adora tomar um cafezinho e refletir sobre maternidade, carreira, marketing e fazer resenha no https://cafecomjuliana.blogspot.com/.

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